Viver ou sobreviver? Como prosperar na Era do Caos e da transição planetária

Publicado em 19 de maio de 2026 às 21:45

Vivemos em tempos de grande mudança, e esta mudança acontece a um ritmo exponencial. Ninguém está preparado para lidar com tamanha complexidade, caos, ambiguidade e incerteza. 

As grandes academias, escolas de conhecimento, consultoras, cientistas, filósofos, antropólogos e líderes têm dedicado toda a sua energia e foco em procurar compreender e caracterizar este tempo novo, esta nova era que estamos a viver.

Eis alguns dos modelos propostos por pensadores e investigadores de Harvard, MIT, Oxford, etc. que têm descrito o mundo atual com alguns conceitos-chave recorrentes. As palavras variam, mas há padrões claros:

 1. Mundo VUCA ou BANI

Originalmente usado pelo exército dos EUA, o conceito VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo) foi adotado por escolas como Harvard e INSEAD para descrever a nossa era. Mais recentemente, investigadores como Jamais Cascio (Institute for the Future, associado ao MIT) preferem a sigla BANI:

  • Brittle – frágil
  • Anxious – ansioso
  • Nonlinear – não linear
  • Incomprehensible – incompreensível

2. Era da Aceleração (The Age of Acceleration)

Thomas Friedman (autor ligado a Harvard) fala de três forças que estão a acelerar tudo:

  • Avanço tecnológico exponencial
  • Globalização interligada
  • Alterações climáticas/desafios sociais

Ele diz que “as sociedades estão mais lentas do que as tecnologias”.

3. Policrise (Polycrisis)

Investigadores da London School of Economics e do MIT, como Adam Tooze e Joseph Stiglitz, referem que não vivemos uma única crise, mas:

  • Crise climática
  • Crise económica
  • Crise geopolítica
  • Crise da saúde mental
    Todas interligadas e simultâneas — gerando instabilidade sistémica.

 4. Liminalidade e transição

Antropólogos e filósofos contemporâneos descrevem esta fase como uma “zona de transição” entre modelos antigos (industriais, hierárquicos) e novos (colaborativos, tecnológicos, distribuídos).
Peter Senge (MIT) fala de um “momento de transição civilizacional”.

5. Sociedade Algorítmica

Shoshana Zuboff (Harvard Business School) diz que entrámos no “capitalismo de vigilância”: a economia baseia-se em dados e previsão comportamental. Outros autores (como Luciano Floridi, Oxford) falam de uma “infosfera” onde fronteiras entre real e digital se desfazem.

6. Mudança de paradigma e incerteza radical

Investigadores como Otto Scharmer (MIT) e Edgar Morin (ligado a várias universidades europeias) dizem que:

  • Os sistemas lineares deixaram de funcionar
  • Precisamos de pensamento sistémico e regenerativo
  • A incerteza é estrutural, não excecional

 7. Crise de confiança e sentido

Harvard Kennedy School, Yale e MIT têm estudos sobre o aumento:

  • da desconfiança nas instituições
  • da polarização
  • da ansiedade identitária
    Os autores dizem que há uma crise de propósito nas sociedades ocidentais.

Em resumo, o mundo atual é descrito como acelerado, interdependente, numa profunda meta-crise, num momento de ameaça existencial, volátil, incerto, algorítmico, com uma crise de sentido e de confiança geral, contudo com infinitas possibilidades. 

Se quiseres, posso aprofundar qualquer uma destas linhas ou mostrar autores específicos sobre cada uma.

Precisamos de olhar com esperança e optimismo, como nos propõem os mais proeminentes autores do nosso tempo:

Crise como transição, não como colapso civilizacional

Otto Scharmer (MIT), Edgar Morin, e mesmo Yuval Harari dizem que não estamos apenas num tempo de crise—mas entre mundos. Algo antigo está a desfazer-se e algo novo ainda não ganhou forma. A tensão é desconfortável, mas fértil. 

“Velhos sistemas estão a morrer e os novos ainda não nasceram.” — Gramsci

Adoro esta visão liminal do tempo em que vivemos. Transitamos para um mundo completamente diferente do que imaginámos, contudo, um mundo novo onde podemos recriar as estruturas, sistemas e princípios humanos de existência  harmonia conosco próprios, com os outros habitantes da terra - humanos e não humanos, e com a Terra e a Natureza como organismo vivo que é a nossa casa e a nossa Mãe.

A  crise revela o que está escondido, trás ao de cima o que não é para manter e não é saudável, ou seja, expõe as fragilidades. Permite, pois, perceber o que não funciona; fazer correções profundas e mudar modelos tóxicos ou obsoletos. É desconfortável, mas diagnóstico antecede cura.

Evolução acontece por saltos, não linearmente

Na biologia, psicologia e sociologia, os grandes avanços não surgem em estabilidade, mas na ruptura:

  • Kuhn (Harvard) chamava a isto “mudança de paradigma”;
  • Teilhard de Chardin dizia que “a crise é o parto do novo”;
  • Taleb fala de “antifragilidade” — sistemas que crescem com o caos.

A ideia incrível do Cisn Negro, proposta por Nassim Nicholas Taleb, aplica-se totalmente e ajuda-nos a compreender que a evolução se faz de forma disruptiva. Ou seja, a crise é fértil para inovação e regeneração.

Há oportunidades que só existem no caos

Investigadores sobre o futuro (MIT, Institute for the Future, Oxford) dizem que momentos como este:

  • abrem espaço para reinventar economias, educação, saúde, trabalho;
  • obrigam à colaboração e não apenas competição;
  • criam novos estilos de liderança (mais empáticos e distribuídos).

Peter Senge (MIT):

“A disrupção oferece o potencial de redesenhar sistemas, não apenas repará-los.”

Perspetiva temporal: isto já aconteceu antes

Se olharmos pelo eixo histórico:

  • Revolução Industrial → caos social
  • Guerras mundiais → ONU, direitos humanos
  • Crises financeiras → novos modelos económicos

A mentalidade e consciência com que vivemos este tempo e esta era define se o sentimos como ameaça e de forma negativa, alimentando os medos e entrando num modo de sobrevivência onde a alienação e desconexão passa a ser a nossa forma de estar, ou então, com coragem, fé, foco e força navegamos estes mares desconhecidos de forma visionária e, juntos, criamos um mundo melhor. 

Para tal precisamos de uma versão nova nossa de século XXI ancorada nas nossas raízes e ancestralidade profunda, na união com o planeta e a natureza, logo uns com os outros em comunidade, e, suportada pelo extraordinário conhecimento científico atual que a ciência nos proporciona para melhor compreendermos o ser humano, a vida e o mundo.

Eu escolho este caminho! Seguimos juntos!

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