Vivemos em tempos de grande mudança, e esta mudança acontece a um ritmo exponencial. Ninguém está preparado para lidar com tamanha complexidade, caos, ambiguidade e incerteza.
As grandes academias, escolas de conhecimento, consultoras, cientistas, filósofos, antropólogos e líderes têm dedicado toda a sua energia e foco em procurar compreender e caracterizar este tempo novo, esta nova era que estamos a viver.
Eis alguns dos modelos propostos por pensadores e investigadores de Harvard, MIT, Oxford, etc. que têm descrito o mundo atual com alguns conceitos-chave recorrentes. As palavras variam, mas há padrões claros:
1. Mundo VUCA ou BANI
Originalmente usado pelo exército dos EUA, o conceito VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo) foi adotado por escolas como Harvard e INSEAD para descrever a nossa era. Mais recentemente, investigadores como Jamais Cascio (Institute for the Future, associado ao MIT) preferem a sigla BANI:
- Brittle – frágil
- Anxious – ansioso
- Nonlinear – não linear
- Incomprehensible – incompreensível
2. Era da Aceleração (The Age of Acceleration)
Thomas Friedman (autor ligado a Harvard) fala de três forças que estão a acelerar tudo:
- Avanço tecnológico exponencial
- Globalização interligada
- Alterações climáticas/desafios sociais
Ele diz que “as sociedades estão mais lentas do que as tecnologias”.
3. Policrise (Polycrisis)
Investigadores da London School of Economics e do MIT, como Adam Tooze e Joseph Stiglitz, referem que não vivemos uma única crise, mas:
- Crise climática
- Crise económica
- Crise geopolítica
- Crise da saúde mental
Todas interligadas e simultâneas — gerando instabilidade sistémica.
4. Liminalidade e transição
Antropólogos e filósofos contemporâneos descrevem esta fase como uma “zona de transição” entre modelos antigos (industriais, hierárquicos) e novos (colaborativos, tecnológicos, distribuídos).
Peter Senge (MIT) fala de um “momento de transição civilizacional”.
5. Sociedade Algorítmica
Shoshana Zuboff (Harvard Business School) diz que entrámos no “capitalismo de vigilância”: a economia baseia-se em dados e previsão comportamental. Outros autores (como Luciano Floridi, Oxford) falam de uma “infosfera” onde fronteiras entre real e digital se desfazem.
6. Mudança de paradigma e incerteza radical
Investigadores como Otto Scharmer (MIT) e Edgar Morin (ligado a várias universidades europeias) dizem que:
- Os sistemas lineares deixaram de funcionar
- Precisamos de pensamento sistémico e regenerativo
- A incerteza é estrutural, não excecional
7. Crise de confiança e sentido
Harvard Kennedy School, Yale e MIT têm estudos sobre o aumento:
- da desconfiança nas instituições
- da polarização
- da ansiedade identitária
Os autores dizem que há uma crise de propósito nas sociedades ocidentais.
Em resumo, o mundo atual é descrito como acelerado, interdependente, numa profunda meta-crise, num momento de ameaça existencial, volátil, incerto, algorítmico, com uma crise de sentido e de confiança geral, contudo com infinitas possibilidades.
Se quiseres, posso aprofundar qualquer uma destas linhas ou mostrar autores específicos sobre cada uma.
Precisamos de olhar com esperança e optimismo, como nos propõem os mais proeminentes autores do nosso tempo:
Crise como transição, não como colapso civilizacional
Otto Scharmer (MIT), Edgar Morin, e mesmo Yuval Harari dizem que não estamos apenas num tempo de crise—mas entre mundos. Algo antigo está a desfazer-se e algo novo ainda não ganhou forma. A tensão é desconfortável, mas fértil.
“Velhos sistemas estão a morrer e os novos ainda não nasceram.” — Gramsci
Adoro esta visão liminal do tempo em que vivemos. Transitamos para um mundo completamente diferente do que imaginámos, contudo, um mundo novo onde podemos recriar as estruturas, sistemas e princípios humanos de existência harmonia conosco próprios, com os outros habitantes da terra - humanos e não humanos, e com a Terra e a Natureza como organismo vivo que é a nossa casa e a nossa Mãe.
A crise revela o que está escondido, trás ao de cima o que não é para manter e não é saudável, ou seja, expõe as fragilidades. Permite, pois, perceber o que não funciona; fazer correções profundas e mudar modelos tóxicos ou obsoletos. É desconfortável, mas diagnóstico antecede cura.
Evolução acontece por saltos, não linearmente
Na biologia, psicologia e sociologia, os grandes avanços não surgem em estabilidade, mas na ruptura:
- Kuhn (Harvard) chamava a isto “mudança de paradigma”;
- Teilhard de Chardin dizia que “a crise é o parto do novo”;
- Taleb fala de “antifragilidade” — sistemas que crescem com o caos.
A ideia incrível do Cisn Negro, proposta por Nassim Nicholas Taleb, aplica-se totalmente e ajuda-nos a compreender que a evolução se faz de forma disruptiva. Ou seja, a crise é fértil para inovação e regeneração.
Há oportunidades que só existem no caos
Investigadores sobre o futuro (MIT, Institute for the Future, Oxford) dizem que momentos como este:
- abrem espaço para reinventar economias, educação, saúde, trabalho;
- obrigam à colaboração e não apenas competição;
- criam novos estilos de liderança (mais empáticos e distribuídos).
Peter Senge (MIT):
“A disrupção oferece o potencial de redesenhar sistemas, não apenas repará-los.”
Perspetiva temporal: isto já aconteceu antes
Se olharmos pelo eixo histórico:
- Revolução Industrial → caos social
- Guerras mundiais → ONU, direitos humanos
- Crises financeiras → novos modelos económicos
A mentalidade e consciência com que vivemos este tempo e esta era define se o sentimos como ameaça e de forma negativa, alimentando os medos e entrando num modo de sobrevivência onde a alienação e desconexão passa a ser a nossa forma de estar, ou então, com coragem, fé, foco e força navegamos estes mares desconhecidos de forma visionária e, juntos, criamos um mundo melhor.
Para tal precisamos de uma versão nova nossa de século XXI ancorada nas nossas raízes e ancestralidade profunda, na união com o planeta e a natureza, logo uns com os outros em comunidade, e, suportada pelo extraordinário conhecimento científico atual que a ciência nos proporciona para melhor compreendermos o ser humano, a vida e o mundo.
Eu escolho este caminho! Seguimos juntos!
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